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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

CONTAMINAÇÃO CRUZADA - 2015

Você sabe o que é contaminação cruzada pelo glúten?
Bem, que o celíaco não pode comer alimentos com glúten você já sabe. Agora o que muitos não entendem é o que é essa tal de contaminação cruzada.


Quando falamos em contaminação cruzada por glúten, muitas pessoas ficam sem entender o que é isso e como pode afetar  a quem é celíaco. Muitos produtos alimentícios não contém glúten em sua composição, mas devido a uma série de fatores, acabam tendo traços de glúten. É o que chamamos de contaminação cruzada por glúten contaminação cruzada por glúten.
O CODEX ALIMENTARIUS determinou a partir de 2008 que todos os produtos com menos de 20 ppm (partes por milhão) de glúten podem ser considerados aptos para a maioria dos celíacos e receber a inscrição “Não contém glúten”. O Brasil segue o CODEX ALIMENTARIUS.

Agora vamos entender o que equivale 20 ppm de glúten em miligramas.
1 quilo tem 1.000 (mil) gramas (g)
1 grama tem 1.000 (mil) miligramas (mg)
1 quilo tem 1.000.000 ( 1 milhão) de miligramas (mg)
20 ppm (partes por milhão) de glúten são equivalentes a 20 miligramas
Um bom exercício de imaginação é usar o pacotinho de sal que vemos nas mesas dos restaurantes. Sabemos que o sal é mais pesado do que farinha de trigo, mas é só um exercício para nos ajudar a entender visualmente o que pode representar 20 miligramas de glúten.
Como visualizar: peguem 1 pacotinho de 1 grama de sal (desses de restaurante) e dividam em 1.000 (mil) partes (vai ser preciso  pinça e lupa !)  – agora tentem identificar 20 partes  dentro dessas mil que você dividiu. Conseguiu separar ou imaginar? Isso representa 20 miligramas.
Agora usem essa experiência para imaginar 20 ppm de glúten. Tentem pensar que tem pessoas que passam mal comendo coisas com menos de 15 ppm de glúten. Aquele farelinho que caiu do pão francês ou do biscoito pode ser suficiente para adoecer um celíaco !
Essa explicação acima é apenas una ilustração, pois na prática os ppm são medidos em soluções onde o produto foi triturado até virar pó e dissolvido em líquido. Mas dá para termos uma idéia do que pode ser considerado “traços de glúten”.
O Codex Alimentarium determina o seguinte:
Codex Padrão 118-1979 ( revisado em 2008):  aplica-se a alimentos para usos dietéticos que foram formulados, processados ou preparados para atender às necessidades dietéticas especiais de pessoas com intolerância ao glúten.
Alimentos rotulados “sem glúten” não podem conter trigo, centeio, cevada, aveia, espelta, kamut, ou variedades mestiços, e seu nível de glúten não pode exceder 20 partes por milhão (ppm). A norma sobre glúten do Codex Alimentarius foi revista em 2008 para um nível menor de 20 ppm.
Além disso, alimentos que contenham trigo, centeio, cevada, aveia, espelta, kamut, ou variedades mestiças que foram especificamente processados para remover o glúten para níveis não superiores a 20 ppm podem ser considerado “sem glúten”, segundo o glúten codex.
Para colocar isto em perspectiva, 20 ppm de glúten é equivalente a 20 miligramas (mg) de glúten por quilo ou por litro de produto (ou 0,0007 onças por £ 2,2 de produto). O método atual para determinação dos níveis de glúten é o ensaio ImunoEnzimático (ELISA) R5 Método Mendez.
Para mais informações sobre isso, visite o site  do Codex Alimentarius : www.codexalimentarius.net
Explicando com outras palavras: os produtos industrializados sem glúten, devem ter, em cada quilo analisado, no máximo 20 ppm de glúten (lembrando que 1 quilo tem 1 milhão de miligramas).
Não há consenso sobre a quantidade diária de traços de glúten que um celíaco suporta. Alguns pesquisadores afirmam que a maioria dos celíacos pode ingerir diariamente até 50 miligramas de glúten, sem que haja danos às vilosidades do intestino. Outros falam em 20 miligramas.  Qual é a quantidade de produtos industrializados que consumimos num dia? Ao final do dia quantos miligramas de glúten acabamos ingerindo? Infelizmente não temos como medir ou saber essa informação. Por isso, em nossa dieta diária devemos sempre observar o equilibrio entre produtos industrializados e produtos naturais, para evitarmos ultrapassar a quantidade  desses traços de glúten que nosso organismo pode suportar.
Fonte: http://www.fenacelbra.com.br/acelbra_rj/tracos-de-gluten-em-produtos-que-tem-a-inscricao-nao-contem-gluten/
A partir da RDC 26/2015 - ANVISA, não vale mais o percentual de traços de glúten que o CODEX ALIMENTARIUS aceita em produtos seguros para celíacos. Antes dessa RDC todo produto brasileiro e importado com menos de 20 ppm de glúten era considerado seguro para celíacos. A ANVISA esclarece que como a Lei Federal 10.674/2003 não cita a questão dos traços e que na alergia alimentar não existe um percentual de traços que seja considerado seguro, agora todos os produtos que tiverem riscos de terem traços de glúten virão com a inscrição "Contém Glúten", independente da quantidade de traços que possa existir. Os produtos que usarem a inscrição "Não contém glúten" devem apresentar em seus testes laboratoriais resultados de "traços indetectáveis" .
http://www.riosemgluten.com/contaminacao_cruzada_por_gluten.htm

Gramado-RS

Você conhece o Natal Luz, em Gramado? É simplesmente maravilhoso e as crianças se divertem muito!
Tem a Aldeia do Papai Noel, Mini Mundo, Lago Negro, shows de Natal, enfim. Isto sem falar nas tradicionais e inúmeras lojas de chocolate.
Mas, e com uma criança celíaca, como se virar por lá?

Bem, primeiro é preciso dizer que se você tiver em mente que só poderá comer em locais cem por cento sem glúten, não terá como se alimentar em Gramado. Quer dizer, lá ou em qualquer outro lugar do mundo, porque sabemos que poucos são os lugares especializados SOMENTE em pratos sem glúten.
No entanto, se você tiver o equilíbrio necessário e souber conversar com os donos dos restaurantes, é possível comer fora.
A ACELBRA tem alguns restaurantes indicados no site: http://www.fenacelbra.com.br/acelbra_rs/onde-comer/

Um deles é o Nono Mio. No entanto, no site está escrito que tudo lá é sem glúten e isto não é verdade. Eles têm dois pratos sem glúten e o restante é com glúten.
Eu conversei com o dono do Nono Mio e o que ele me explicou é que embora não tenham uma cozinha específica para preparar os pratos sem glúten, os utensílios são separados e o chefe toma todo o cuidado possível. Por este motivo os pratos demoram um pouco mais para serem servidos (cerca de meia hora).
Nós comemos espaguete ao molho sugo com galetos e polenta assada.

Tem outro restaurante chamado Mama Pasta. É o mesmo esquema do Nono Mio: eles têm dois pratos sem glúten no cardápio e o restante é com glúten. Comemos ravioli com recheio de frango ao molho sugo e pedimos à parte um delicioso filé mignon assado, que por sinal estava divino!!! Achei a massa um pouco dura, mas no conjunto estava tudo muito gostoso!

Quer uma comida diferente? Vá a Estação Crepe. No cardápio tem crepes no prato - sem glúten. 
Comemos o crepe de calabresa, catupiry e queijo. De sobremesa, um crepe recheado com Nutella e morangos e uma bola de sorvete de creme da Nestlé.
Tem também um lanche com pão sem glúten. Devo dizer que é maravilhoso!!!
Conversei com os donos que foram muito atenciosos. Eles têm utensílios separados para fazer o crepe e o pão do lanche vem de fora devidamente embalado para não haver contaminação. Comemos lá vários dias e adoramos!
Ah! Eles têm um prato Combinado com dois tipos de salsichas alemãs Bock e pão na chapa com três tipos de molho, inclusive uma maionese de ervas que eles fazem lá mesmo. As salsichas não têm glúten e se quiser, pode pedir para substituir o pão pelo pão sem glúten. Só que neste caso ele não será tostado na chapa, mas também fica uma delícia!

Em frente a Estação Crepe tem o Maison de Saveurs - servem rodízio de fondue (ou sequência de fondue, como se diz por lá), sem glúten. Converse com o dono e fique atento quando forem servir.
Começam pelo fondue de queijo. Ao invés de servir o pão, eles servem picles, bata cozida e goiabada.
No de carne, vem filé mignon, filé de frango e carne suína. Só podemos três tipos de molhos. Eles serviram uns dez tipos e eu pedi para confirmarem. Depois de alguns minutos o garçom retornou e disse quer todos os molhos à base de maionese tinham glúten. Retirou todos!
No fondue de chocolate (o chocolate servido lá não contém glúten), é servido com frutas e waffle. No nosso caso, eles não trazem a waffle.

Ao fazer passeios procure Buffet Libre com Churrasco. Nestes lugares eles assam as carnes à parte e na maioria dos lugares o tempero é somente sal. Mas pergunte sempre, porque alguns restaurantes temperam com caldo Knorr ou colocam amaciante de carne e ambos têm glúten. Coma carne e frango com saladas cruas. Muitos lugares têm a polenta mole e nem sal eles colocam. Vale à pena provar!

Se decidir dar uma esticada até Nova Petrópolis, não esqueça de passar no Cantinho Saudável. Tudo sem glúten e sem leite. A dona do estabelecimento é celiaca e vai a Porto alegre buscar pratos prontos para servir na hora. Experimente a torta salgada de frango, o bolo de abacaxi com creme ou o mini bolo de canela. Ficamos apaixonadas! 

Em relação às chocolaterias, tem várias!!! Indico a Lugano e a Planalto. Todos os chocolates são sem glúten, com exceção dos que têm cereais (pouquíssimos).

Dicas: em Canela não existe nenhum estabelecimento com alimentação sem glúten.

Tanto em Gramado como em Canela, todos os parques não tem opções sem glúten. No muito, vendem Ruffles e algum chocolate que não tem glúten. Portanto, se você for passar o dia fora visitando os parques, faça uma malinha para passar o dia. Bom passeio!


                                                            MINHA FLORZINHA
                                                        CHOCOLATERIA PLANALTO
                                                       CHOCOLATERIA PLANALTO
CREPE SALGADO - ESTAÇÃO CREPE, EM GRAMADO

                                         CREPE DOCE - NA ESTAÇÃO CREPE, EM GRAMADO





PRATO - NONO MIO

FONDUE - MAISON DE SOUVERS
SALSICHA BOCK NA ESTAÇÃO CREPE

                                               PNEU FUROU EM NOVA PETRÓPOLIS
                                          CANTINHO SAUDÁVEL - NOVA PETRÓPOLIS
                                         CANTINHO SAUDÁVEL - NOVA PETRÓPOLIS
                                        CANTINHO SAUDÁVEL - NOVA PETRÓPOLIS
                                               MINHA PRINCESINHA - 9 ANOS
                                                          SHOW "EU SOU MARIA"
                                      COMENDO POLENTA SEM SAL E BATATA FRITA
                                COMENDO CHOCOLATE DA CHOCOLATERIA LUGANO



 MUNDO MÁGICO DO CHOCOLATE - LUGANO "FAZENDO O SEU PRÓPRIO CHOCOLATE"
                                 LANCHE SEM GLÚTEN NA ESTAÇÃO CREPE - GRAMADO
                             LANCHE SEM GLÚTEN NA ESTAÇÃO CREPE - GRAMADO






JANTANDO NO MAMA PASTA COM A ELIZABETH E O MARCOS - DONOS DO SABOR DE SAÚDE, AQUI EM SÃO PAULO.







Uruguai


Pensando em viajar para o Uruguai e não sabe como é em termos de alimentação?
Não se preocupe! Lá você irá se sentir em casa!

A ACELU - Associação dos Celíacos no Uruguai fez um trabalho excelente naquele país! As pessoas tem educação celíaca e sabem o que é contaminação cruzada.
Em Montevideo, no mercado municipal, me disseram: pode ir em tal restaurante que lá eles sabem o que é contaminação e cuidam dos pratos para celíacos. E assim foi na maioria os lugares.
Quer comer um pancho con panceta? (Carrocho quente com bacon?) É só comprar o pão (igual ao com glúten) e levar. Eles fazem a salsicha e o bacon sem contaminação e te servem.
Existem lojas especializadas e é muito fácil por lá.
Senti que a minha filha ficou mais bem humorada, mais à vontade por lá..... Aqui no Brasil, tudo o que ela vê, não pode comer (Shopping, confeitaria, padaria, etc... ). Ela nunca ficou pedindo nada, mas acredito que deve olhar e sentir vontade e como sabe que não pode comer, ela fica quieta. Mas isto deve gerar um certo grau de irritabilidade por dentro... Até que a pessoa às vezes "estoura" por qualquer coisa, mas a causa mesmo foi outra (devido não poder comer uma porção de coisas). Eu não sei se estou falando besteira, mas é isso que eu sinto. Já no Uruguai ela não passou vontade. Comeu alfajor sem glúten, cachorro quente, sorvetes, biscoitos, enfim. Toda esta "abertura" do comércio para ela, fez com que refletisse em seu comportamento. Com uma sociedade preparada é como se ela finalmente se sentisse livre. 
Não conversei com ela à respeito de tudo isto, mas estou escrevendo o que senti, porque a mudança de humor dela não foi devido a viagem. Percebi que foi em relação a alimentação.
Aqui no Brasil, as ACELBRAS já fizeram muito (e fazem ainda). O problema é que vivemos num país onde não há educação. Não por má vontade das pessoas, mas por problemas políticos mesmo. Num país sem educação as pessoas não procuram se informar e quando você chega com a informação elas não desejam ouvir, não se importam que o outro não possa comer isto ou àquilo. Principalmente aqui em São Paulo, torna-se muito difícil realizar um trabalho de conscientização dos donos de restaurantes para servir alimentação apta para celíaco. Junta-se a falta de educação com a geografia do Brasil (São Paulo é infinitamente maior que todo o país do Uruguai), mais a falta de voluntários para ir a campo, aí fica quase impossível tornar o Brasil um país apto para celíacos. Mas enquanto isto não acontece, não fique triste! Dê um pulinho na terra de nuestros hermanos.... É logo ali, e eu garanto: você vai se sentir em casa! Boa viagem!

Autora: Erivane de Alencar Moreno









domingo, 16 de outubro de 2016

Dia das Crianças sem Glúten - 2016

Hoje comemoramos o Dia das Crianças Sem Glúten, em São Paulo, no Parque Villa Lobos.
Meus agradecimentos a Beladri - Srta. Luciene e Santa Massa Sem Glúten - Sr. Eduardo, que doaram alimentos sem glúten e sem lactose para o nosso picnic.

Fez um dia lindo de sol e o parque estava cheio!
Nos divertimos e sentimos pelo fato de mais pessoas não aderirem a este evento e tantos outros que temos na cidade de São Paulo. Se soubessem o quanto é bom ver as crianças comerem juntas sem distinção de alimento e brincarem, sabendo que celíaco é igual a qualquer outra pessoa, mais mães levariam os seus filhos para conhecerem outras crianças celíacas.

Bem, mas quem não foi, perdeu! Nós ganhamos amizades, um lindo dia ensolarado e muitas coisas gostosas gluten free!

Segue abaixo as fotos e os meus agradecimentos aos nossos colaboradores: Beladri e Santa Massa Sem Glúten.


CONVITE DO EVENTO

                                                          DOAÇÃO DA BELADRI
                                                             COXINHA BELADRI


DOAÇÃO SANTA MASSA SEM GLÚTEN




                                                        CONTAÇÃO DE HISTÓRIA




quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O famoso Eduardo


Eduardo queria ser popular na escola
Queria ter muitos amigos e ser conhecido por todos;
Desejava ser diferente como algum super herói
Ou poder domar um cavalo igualzinho a um cowboy
Não importava o motivo da fama, o que ele queria era ser popular.
Mas como, se com ele tudo acontecia?
Se um inseto o picasse a pele ficava toda vermelha
Se tomava leite de vaca a sua barriga doía.
Se corria muito sentia falta de ar
Nem bicho de pelúcia ele podia
porque com o pó logo começava a espirrar.
Ah! Era tanta coisa que o Eduardo tinha
e sendo assim como ele iria se destacar?
O menino vivia pensando, assim, dentro da sua cabecinha
Uma forma de ser diferente
De ficar banguelo sem perder os dentes
De só comer besteiras e não ficar doente
Quem sabe pintar o cabelo ou fazer permanente
Ser o campeão no vídeo game ou ganhar nos jogos do Facebook
O menino precisava ter atitude prá se tornar bem conhecido.
E ele não sabia como, porque era muito tímido.
Mas certo dia na hora do lanche
um amigo seu pediu um pedaço de bolo
Eduardo deu, o menino comeu
e depois o olhou com cara de bobo.
Mais que bolo mais gostoso! É mais leve e mais saboroso. – Constatou o jovem menino.
E logo toda a turma só queria comer o lanche do Eduardo
Porque o bolo não tinha farinha de trigo
Os biscoitos eram feitos de amido
Nem de salgadinhos Eduardo gostava
Em sua lancheira era fruta que ele levava
A hora do lanche parecia uma festa todo dia,
Onde todo mundo conversava e brincava
E comia os lanches que a mãe do Eduardo fazia.
Se uma bala diferente alguma pessoa oferecia
os amigos de Eduardo logo diziam que ele não podia
Que primeiro tinha que olhar no rótulo os ingredientes
para ver se o menino poderia comer
Porque o Edu era um menino diferente
e isto era fácil de se perceber.
Só quem não percebeu foi o próprio Eduardo,
que ele era um garoto muito especial
E de tão especial que era, passou a ser admirado por toda a turma da escola
E olha que ele nem precisou pintar o cabelo e nem aprender a tocar viola
Eduardo só foi ele mesmo – um garoto de alto astral
que tinha uma alimentação mais do que legal.
E por ter nascido diferente acabou fazendo sucesso naturalmente.
Esta é a história do Eduardo, que continua espirrando e tendo muitas alergias
Mas que descobriu que o importante é ter muitos amigos,
Uma alimentação saudável e uma vida cheia de alegria.



Autora: Erivane de Alencar Moreno

A menina que fazia inalação

Ana Beatriz vivia com falta de ar
Se chegava perto de um bichinho de pelúcia
Ela logo começava a espirrar
A vida dela era fazer inalação
“Ô coisa chata”, - pensava ela.
“Isto me atrapalha a ver televisão.”
Se corria muito ela se cansava,
Se sentia cheiro de perfume ela espirrava.
Vivia tomando antialérgicos
E vários outros remédios.

Um dia a sua situação piorou
E para o hospital seus pais a levaram.
Fez inalação, tomou injeção.
Mas de nada adiantou, então eles a internaram.
Ela ficou num quarto onde tinha computador,
E de casa a sua mãe trouxe uma pequena televisão.
Trouxe muitos papéis e vários lápis de cor
Mas a garotinha gostava era de brincar com jogos de decoração.

Em algum horário do dia chegava uma mulher
Que dava uns tapinhas generosos no seu peito.
Segundo a sua mãe, ela era fisioterapeuta,
E iria ajudá-la a respirar direito.
Ana Beatriz melhorava toda vez que essa fisioterapia era feita
Ela respirava melhor e dizia: “Mamãe, agora eu já estou perfeita”.
Perfeita Ana Beatriz já era, mas ainda precisava melhorar.
E para isso tomou direitinho os medicamentos
Que as enfermeiras tão boazinhas vinham lhe dar.

A garota conheceu outras crianças e cada uma tinha uma história
Umas tossiam muito, outras estavam com pneumonia.
Algumas não respiravam direito e tinham algumas alergias.
Todas aquelas amizades alegraram o seu coração
E o mais legal, era que assim como ela, todas aquelas  crianças também faziam inalação.
Para passar o tempo, Ana Beatriz desenhava,
Assistia televisão e no computador ela jogava. 

Os dias passaram tão rápido que a garota nem percebeu
E logo a sua mãe uma boa notícia lhe deu.
Filha, você já está bem e para a casa poderemos voltar.
Ana  Beatriz ficou feliz mas logo se pôs a chorar.
Era porque ela queria os seus novos amigos levar.
Mas a sua mãe lhe explicou, que a amizade não precisava acabar.
Porque elas também receberiam alta e fora do hospital todas poderiam se encontrar.

Lá se foi Ana Beatriz, respirando bem melhor.
Ela pulava, ela corria e nenhuma tosse aparecia.
Mas lá no fundo ela sabia que se um dia precisasse
Voltar ao hospital e novamente ficar internada.
Ela iria entender perfeitamente e nem ia ficar chateada.
Porque o importante era estar bem para brincar e para correr
Pois  em qualquer lugar onde estivesse, muitas amizades poderia fazer.


Autoria:  Erivane Flausina de Alencar Moreno

A garotinha Cindy

Era uma vez uma garotinha que se chamava Cindy.
Ela era muito inteligente e sempre se destacava na escola. Mas como nem tudo é perfeito, ela tinha duas amigas muito más e a sua professora não gostava muito dela.
O maior sonho de Cindy não era encontrar um príncipe encantado, era outro desejo um tanto diferente: poder comer os mesmos alimentos que os seus amigos comiam.
Suas duas amigas por nome de Ane  e Viviane vivam caçoando de Cindy porque ela não podia comer determinadas coisas. Lá no fundo era pura inveja porque a Cindy só levava alimentos saborosos e livres de glúten para a escola. A professora por sua vez também era muito má e vivia pedindo para a menina fazer várias coisas na sala de aula.
- Cindy, apaga a lousa. Cindy, distribua as lições para seus amigos. Cindy, me ajude a corrigir as provas. Tudo era Cindy, Cindy e Cindy. A menina não tinha tempo nem para brincar com os amiguinhos direito.
Lá no fundo havia um motivo muito forte para a sua professora não gostar dela: ela vivia olhando a página do Facebook da mãe de Cindy e via que ela colocava fotos de todas as guloseimas que costumava fazer para a sua filha e a professora ficava morrendo de vontade de comer, mas ela não sabia fazer aquelas receitas saborosas sem glúten e por isso sentia muita inveja da menina.
Certo dia, o Felipe, um dos amiguinhos da turma levou um convite para todos da sala – seria a festa de seu aniversário.
A mãe de Cindy, com todo o carinho fez um bolo de chocolate recheado, salgadinhos e docinhos, todos sem glúten, para que Cindy pudesse comer no aniversário. A garota sabia que não podia comer nada do que era servido na festa porque tudo ali tinha glúten, mas ela não ficava triste por isso, afinal, ela ia às festas para brincar e se divertir com os amigos e não para ficar comendo o tempo todo. 
Ao chegar à festa, todas as crianças correram para abraçá-la numa forma de “montinho” – era sempre assim quando Cindy chegava porque ela era muito querida por todos.
Porém, Ane e Viviane não foram abraçá-la e ficaram com muita inveja quando as duas viram a doce menina abrir a sua lancheira e tirar toda aquela comida gostosa que sua mãe havia preparado.
Antes mesmo de comer, os seus amigos vieram chamá-la para ir aos brinquedos e Cindy saiu correndo deixando as suas guloseimas em cima da mesa.
As duas meninas mais do que rápido foram até a mesa e comeram tudo e até a professora que estava por perto resolveu comer também. A professora pegou o celular, tirou uma foto dela e das duas amigas más com a boca lambusada daquelas delícias e postou no Facebook, dizendo: “Eu adoro os alimentos sem glúten, são muito saborosos!
Quando se cansou, Cindy foi até a mesa para tomar uma água e comer um pouco e para a sua surpresa os seus salgados e bolo haviam sumido.
Triste, Cindy saiu correndo e foi embora da festa esquecendo a sua lancheira em cima da mesa e Ane aproveitou para pegar a lancheira para ela.
No outro dia todos estavam reunidos na escola e Cindy ainda estava triste porque havia perdido a sua lancheira cor de rosa com lilás de que ela tanto gostava.
Na hora do recreio, Ane abriu a lancheira para pegar o lanche e logo Cindy reconheceu que aquela era a sua lancheira, mas Ane afirmou que sua mãe havia comprado uma igualzinha para ela.
Após o lanche os alunos foram brincar e o Felipe que havia ganhado um celular de presente dos seus pais no dia do seu aniversário, quis mostrá-lo para a sua amiga Cindy.
Ele disse: - Olha, Cindy, a minha mãe criou um Facebook para mim. – e os dois começaram a ver fotos, até que num momento eles entraram no Face da professora e o que eles viram? A foto dela junto a Ane e a Viviane comendo os salgados que a Cindy havia levado para a festa; e na foto a Ane estava segurando a lancheira da menina.
Pronto! O mistério havia sido desvendado: além de descobrir quem havia comido as suas coisas, Cindy e Felipe descobriram quem havia pegado a sua lancheira.
Mais do que depressa os amigos se reuniram e foram a diretoria contar tudo o que havia acontecido.
- Porque você comeu a comida da Cindy, professora? – perguntou a diretora.
- Porque eu via as fotos de tudo o que a mãe da Cindy preparava para ela e ficava com vontade, diretora.
- E vocês, Ane e Viviane? Porque fizeram isso com a amiguinha de vocês?
- Ah, senhora diretora, é que como a Cindy tem uma alimentação saudável ela está sempre tão feliz e tem disposição para participar de todas as brincadeiras e quase sempre ganha nas competições das aulas de Educação Física. Nós pensamos que comendo os alimentos dela nós também ficaríamos fortes e bonitas como ela.
A diretora pensou bem e, ao invés de dar um belo castigo para a professora e para as duas garotas, ela deu a seguinte ordem:
- A partir de hoje teremos aulas de culinária sem glúten todos os meses nesta escola e desta forma a Cindy poderá ensinar a todos como fazer alimentos gostosos sem farinha de trigo e outras proteínas do glúten.
Depois disto, a sua lancheira foi devolvida com um belo pedido de desculpas e a partir daquele dia, todos na escola se uniram para fazer deliciosas receitas sem glúten onde todos puderam participar tanto na elaboração quanto na degustação. A professora já não sentia mais inveja, pois o seu Facebook também passou a ficar cheio de fotos de todos os seus alunos fazendo e comendo gostosuras sem glúten feito por todos eles nas aulas de culinária.
Depois disto, o maior sonho de Cindy já não era poder comer os alimentos que os seus amigos comiam e sim o contrário, que todos pudessem comer as coisas saborosas que ela comia para que todos fossem felizes como ela. E o seu desejo foi atendido.


Autoria: Erivane Flausina de Alencar Moreno